Carta aberta sobre 2021

01 dezembro

Carta aberta sobre 2021

 
Olá! Como estão as coisas por aí? Por aqui tudo bem, graças a Deus. Tenho o costume de escrever muitas cartas só para deixar guardadas para mim, mas essa eu resolvi tornar pública. Espero que ela deixe o coração de vocês quentinhos.


2021 está nos seus minutos finais, e eu não exagero quando digo que só sobrevivi por que Deus me amparou. Eu esperei minha vida inteira por esse ano. Meu ano de vestibulando, meu último ano escolar. Fechar o ciclo. A pandemia impossibilitou que eu vivesse os sonhos que planejei durante anos para 2021, e isso só mostra que nossa esperança e os nossos sonhos precisam estar depositados em Deus, porque, caso não estejam, iremos nos frustrar.
Ainda assim, foi um ano bom. Desde o ano passado tenho experimentado uma nova face da solidão. Clarice escreveu:
"Agora sei: sou só. Eu e minha liberdade que não sei usar. Grande responsabilidade da solidão."
Foi um período de reclusão e de autoconhecimento. Recobrei sonhos passados e trabalhei duro pelos futuros. Não sei o que será da minha vida ano que vem. Vou para a faculdade? Em qual? Vou ficar aqui na minha cidade? Fazendo o quê?
São perguntas que me perguntei muito, mas agora não faz mais sentido insistir em algo que não sei.
Mas não foram só flores. Experimentei de uma angústia profunda esse ano. Me rendi ao existencialismo de Sartre e me tornei puro pó. "A existência precede a essência", isso quase me deixou triste, mas "o homem está condenado a ser livre" quase me matou. Descobri que a liberdade não é liberdade, e sim condenação. Quanto mais velho e mais "livre", mais responsabilidades, as quais nem sempre estamos preparados para assumir.
Escrevi um dia em um dos meus diários:
"Sinto falta de quem eu era e, agora, nem me reconheço mais... Sinto falta de mim e de quem eu nunca serei... Não esperem nada de mim, porque não nasci para dar orgulho a ninguém, além da minha mais eterna companheira. Solidão insiste em não me deixar. "
E em um outro dia:
"Há quase certa ironia em se sentir vazia. Nós nos esvaziamos de tudo o que nos rege para descobrir quem somos, e, em um momento (após uma infinita lentidão de pensamentos), descobrimos que não somos nada... Não há leveza em ser. A vida é pesada por si só... Somos e não somos na mesma velocidade, como uma reação química que tende ao equilíbrio. É pesado viver, e, às vezes, quase não me sinto."
Peço que não se assustem. É que eu não sei escrever sobre coisas felizes, sou uma romântica por natureza, e , com absoluta certeza, se eu tivesse tido a oportunidade, seria amiga de Goethe, Emily Bronte e do Álvares de Azevedo.

Falando nesse último, li praticamente tudo o que ele escreveu durante esse ano, talvez essa seja a origem da minha melancolia. Li seus poemas tantas vezes que fazem parte de mim agora.
Só queria deixar claro que os românticos por natureza são os que mais aproveitam a vida. Mergulham profundamente em cada sentimento e não se iludem com alegrias efêmeras. Convido-te a experimentar dessa corrente. Romantismo não é amor romântico. Nem é sobre amor. É sobre a vida, e sobre experimentar profundamente cada sentimento humano, principalmente a tristeza e decepção. É delas que vem a sabedoria.
Deixando o papo filosófico de lado...
Descobri que eu adoro o cinema. Gosto mesmo. Não de heróis e galãs. Gosto de um bom roteiro, de um bom diretor, de um bom plot twist. Al Pacino, Marlon Brando, Robert de Niro, Marilyn Monroe e Elizabeth Taylor. Gosto de atuação que te convence, que te manipula e que te engana.
Sobre Arte, em geral, minha paixão são os clássicos. Esse ano li 45 livros, e 90% (ou mais) foram clássicos. Um clássico nunca te decepciona, você não perde seu tempo, sempre te acrescenta algo importante. Filmes, livros, músicas, tudo.
Falar sobre arte é difícil hoje em dia. Arte é tudo aquilo que mexe com você e com os seus sentidos. Não é qualquer música, qualquer escritor ou qualquer artista. Ouçam "choro" do Tom Jobim e lembrem-se dele toda vez que for classificar algo como arte ou não. Arte não é barulhenta, não é uma história batida de ou um filme que conta a mesma coisa que outros 100 lançados no mesmo ano. Arte é inovador, e, apesar de silenciosa, te chacoalha e você nunca mais é a mesma pessoa depois que ela se apresenta a você. Se você for o mesmo depois de ler um livro, então, sinto muito, não é arte. Pode até ser literatura, mas não é arte.
Eu tinha certo preconceito com clássicos, achava que era literatura de gente que se acha superior. Porém, depois que Machado de Assis (o mesmíssimo que eu detestava) me iniciou nessa vida, tive que morder a língua e em um mês me embriaguei de Machado. Fiquei tão viciada que tive que parar e fiquei 2 anos sem ler nada dele (mas agora já voltei rsrs).
O bom de gostar de clássicos é que são baratos. Comprei 3 outro dia, em uma prateleira cheia de poeira (claramente ninguém vai nessa prateleira), e paguei 10,50. Estou sonhando? Apesar de ficar triste por ver os livros de um dos Maiores escritores DO MUNDO (me refiro, claro, a Machado) ser vendidos por 3,5, fico feliz porque eu estou mais do que quebrada, e não tenho um tostão para gastar. 3,5 é o único preço que posso pagar por um livro. Obrigada por não lerem Machado. Lei da Oferta e Procura.
Enfim... 2021 foi uma bomba relógio que não explodiu. Sou grata por cada momentinho e por cada aprendizado. Meu coração está aberto para as vontades daquele que me criou e que tem o melhor para mim. Espero que o de vocês também.

Como foi o ano de vocês? Me enviem um e-mail Claraafonso40@hotmail.com. Vou ficar muito feliz em poder conversar com vocês sobre como foi esse ano de vocês.

Obrigada por ler até aqui, espero que tenha gostado. Até a próxima!

Com carinho, Clara.

You Might Also Like

7 comentários

  1. Amei essa carta aberta. 2021 não foi um ano fácil, mas devemos ser gratas por ainda estarmos aqui e também ter quem amamos, pois muita gente não vai poder dizer coisas boas sobre esse.
    Eu tenho pensando muito sobre parar de colocar expecttaivas nos meus planos e só confiar em Deus, é tão complicado se ver frustada por não realizar coisas que achamos que queremos.
    Sobre livros clássicos: é tão bom essa acessibilidade de valor né?! uma pena que julgam muitos livros mais antigos.
    beijos
    https://www.dearlytay.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Tay! Sempre bom te ter por aqui! Esse ano foi desafiador e muitas pessoas sofreram muito. Acredito que colocar nossas esperanças em Deus é o remédio para não nos frustrarmos, porque ele quem guia nossas vidas.
      Abraços!

      Excluir
  2. Oi Clara, tudo bem?
    Primeiramente, sobre os clássicos: eu amo! Mas confesso que ainda tenho resistência com os nacionais :/
    Sobre a primeira parte da sua carta: eu me sinto bem assim, sabe? Me sinto a um bom tempo já... as vezes é bom ler a experiência de outras pessoas e saber um pouco como elas lidam com isso. Toda essa bola no peito em forma de angústia, com tanto sentimento estranho. Obrigada por compartilhar. Eu ainda tenho a dificuldade de saber como lidar com tudo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Fernanda. Estou bem e você? Eu espero que você descubra um jeito para lidar com essa angústia que te persegue, não é fácil realmente... torço por você!
      Abraços!

      Excluir
  3. Olá Clarinha (posso te chamar assim?)
    Realmente esse ano não foi tão fácil né?
    Mas como você falou, Deus têm amparado!

    Realmente só estamos seguros nos braços de Papai!
    É Ele quem nos fortalece e nos faz andar mais uma milha, mesmo quando achamos que não podemos mais dar nenhum passo!

    Fico feliz pela sua descoberta em relação a si mesma,
    Somos uma caixinha de surpresa não é mesmo?

    Prazer conhecer seu blog/conteúdo

    Bjs

    https://thaisbaruk.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pode chamar sim hahaha
      Sim, somente Ele nos ampara e nos dá forças para continuar. Prazer te ter aqui!
      Abraços!

      Excluir
  4. Arte é isso, é esse coração aberto e real, as palavras sinceras sobre o que foi bom, ruim, fato. E me tocou, tocou mesmo, então guardei no coração pra sentir essa poesia tão pura.
    Agora vou-me a refletir...

    ResponderExcluir

Tecnologia do Blogger.